Os Pankararés e o Mergulho da Ema

Sob o céu estrelado do Raso da Catarina, Sertão baiano, registrei um momento raro e carregado de simbolismo. Após a dança do Praiá, tradicional dos Pankararé, reuni alguns dos indígenas ainda com suas vestimentas típicas para uma fotografia que une a força da cultura ancestral com a vastidão do céu estrelado.
Para muitos povos originários, o céu nunca foi apenas cenário: ele sempre foi guia, calendário, inspiração e ponte espiritual. Resgatar essa conexão é essencial para entendermos que a observação do céu noturno faz parte da nossa própria identidade como brasileiros, antes mesmo da ciência moderna.
Na imagem, além dos Pankararé, vemos no firmamento um trecho da Via Láctea, que para diversos povos indígenas brasileiros representa a ema. Nesse momento, o céu revela a parte do pescoço e da cabeça dessa ave sagrada, que parece mergulhar de cabeça no horizonte. Um mito ancestral representado nas estrelas, que reforça a união entre cultura, natureza e cosmos.
O Raso da Catarina, inserido no bioma da Caatinga, é um dos lugares mais secos do país e, ao mesmo tempo, um dos mais ricos culturalmente. Em noites claras, o silêncio do sertão se mistura ao brilho da Via Láctea, lembrando que esse céu também pertence às narrativas indígenas que atravessam gerações.
DADOS DA CAPTURA:
Canon EOS 6D (Baader Mod)
Samyang 24mm f/1.4
Single frame – 10s | ISO 1600 | f/1.4
Raso da Catarina, BA
